Pois, mas......
O Zé Granja, o NÁNÁ e outros parceiros do ex- MDP-CDE, devem pensar o mesmo e assinar de cruz.
É bem verdade que todo o Homem, tem um preço.
Estimado Artur,
O meu pai tinha por si uma particular amizade, alicerçada, pelo que me foi fazendo saber, com o passar do tempo, tanto nas suas qualidades pessoais como nas de cidadão politicamente engajado a uma esquerda generosa e solidária. Eu, que nunca fui dessa vossa esquerda, dizia-lhe, com o respeito que a vigiada liberdade familiar me permitia, que preferia ser... canhoto. Queria eu dizer na minha: de outra esquerda, mais moderna e reformista, da liberdade criativa e da cidadania plena, com menos Estado e sem economia planificada.
Passados estes anos todos, voltamo-nos a encontrar, hoje; os dois e mais umas quatro ou cinco centenas de famalicenses, no jardim dos Paços do Concelho. Você, como quadro superior da Câmara; eu, como vulgar cidadão famalicense que teima em gostar da nossa Terra. No meio, e a separar-nos, irremediavelmente, um... como hei-de eu chamar àquilo... um muro de betão.
Estou sinceramente convencido que, desta vez, se o meu pai ainda por cá andasse, teria alinhado comigo. Mais: ter-lhe-ia dito a si, nos limites da amizade que cultivavam, aquilo que muitos famalicenses há muito andam para lhe dizer, alto e bom som. Pelo menos, desde o episódio que levou ao inqualificável afastamento da vereadora Edna Cardoso.
É que, como o meu pai me ensinou, para se triunfar na vida não vale tudo! Antes de mais, dizia-me ele, é preciso vontade de trabalhar. Depois, ter a cabeça a funcionar. Em terceiro lugar, agarrar as poucas oportunidades que a vida a todos nós proporciona. Não o ouviu dizer mais ou menos isto várias vezes? Era este, afinal, o “pequeno segredo” para o relativo sucesso sócio-económico que ele conseguiu na vida. Sem nunca abdicar das suas ideias de esquerda!
Pois bem, à sua frente, debaixo dos seus olhos, tendo como autores os seus companheiros de agora, a memória do seu amigo Carlos Sousa foi hoje profunda e malevolamente aviltada. Por uns garotos, quiçá inimputáveis, e a mais proeminente das cidadãs “independentes” que – como você, ouso adivinhar – apoia a reeleição do actual presidente da Câmara.
Admito que não soubesse daquela provocação vil. Estou em crer, mesmo, que desaconselharia tal iniciativa se, previamente, dela tivesse tido conhecimento. Mas, tenho de o dizer!, fiquei chocado com o seu silêncio, na altura. Estranhei a sua falta de firmeza na crítica à cilada que me tinham preparado. É a vida...
Se o meu pai hoje tem estado connosco - como seguramente estaria! – dir-lhe-ia mais. E coisas bem mais difíceis de ouvir, que nisso ele não perdoava. Eu, pouco dado a exorcismos e a ciências ocultas, o mínimo que eu acho que ele lhe diria, caro Artur, é que a dignidade e a coerência valem bem mais que um louvor do chefe ou uma fotografia no boletim municipal.
Para terminar: um pedido. Para a semana, na festa de inauguração do vosso mural, não se esqueça do meu pai. E, se possível, faça encher o jardim com muitas rosinhas. Não daquelas que só têm picos e vertem fel. Das verdadeiras! Ou cravos, muitos cravos, de preferência. O meu pai e muitos outros famalicenses - como o eng. Queiroga ou o eng. Pinheiro Braga, por exemplo – haveriam de gostar.
Sem rancor, aceite um abraço amigo do (outro) Carlos Sousa.
V.N. de Famalicão, às 20 horas de 21 de Setembro de 2005
Como amigo do Sr. Carlos Sousa, também subscrevo e lamento.
Octávio Vilaça
É bem verdade que todo o Homem, tem um preço.
Estimado Artur,
O meu pai tinha por si uma particular amizade, alicerçada, pelo que me foi fazendo saber, com o passar do tempo, tanto nas suas qualidades pessoais como nas de cidadão politicamente engajado a uma esquerda generosa e solidária. Eu, que nunca fui dessa vossa esquerda, dizia-lhe, com o respeito que a vigiada liberdade familiar me permitia, que preferia ser... canhoto. Queria eu dizer na minha: de outra esquerda, mais moderna e reformista, da liberdade criativa e da cidadania plena, com menos Estado e sem economia planificada.
Passados estes anos todos, voltamo-nos a encontrar, hoje; os dois e mais umas quatro ou cinco centenas de famalicenses, no jardim dos Paços do Concelho. Você, como quadro superior da Câmara; eu, como vulgar cidadão famalicense que teima em gostar da nossa Terra. No meio, e a separar-nos, irremediavelmente, um... como hei-de eu chamar àquilo... um muro de betão.
Estou sinceramente convencido que, desta vez, se o meu pai ainda por cá andasse, teria alinhado comigo. Mais: ter-lhe-ia dito a si, nos limites da amizade que cultivavam, aquilo que muitos famalicenses há muito andam para lhe dizer, alto e bom som. Pelo menos, desde o episódio que levou ao inqualificável afastamento da vereadora Edna Cardoso.
É que, como o meu pai me ensinou, para se triunfar na vida não vale tudo! Antes de mais, dizia-me ele, é preciso vontade de trabalhar. Depois, ter a cabeça a funcionar. Em terceiro lugar, agarrar as poucas oportunidades que a vida a todos nós proporciona. Não o ouviu dizer mais ou menos isto várias vezes? Era este, afinal, o “pequeno segredo” para o relativo sucesso sócio-económico que ele conseguiu na vida. Sem nunca abdicar das suas ideias de esquerda!
Pois bem, à sua frente, debaixo dos seus olhos, tendo como autores os seus companheiros de agora, a memória do seu amigo Carlos Sousa foi hoje profunda e malevolamente aviltada. Por uns garotos, quiçá inimputáveis, e a mais proeminente das cidadãs “independentes” que – como você, ouso adivinhar – apoia a reeleição do actual presidente da Câmara.
Admito que não soubesse daquela provocação vil. Estou em crer, mesmo, que desaconselharia tal iniciativa se, previamente, dela tivesse tido conhecimento. Mas, tenho de o dizer!, fiquei chocado com o seu silêncio, na altura. Estranhei a sua falta de firmeza na crítica à cilada que me tinham preparado. É a vida...
Se o meu pai hoje tem estado connosco - como seguramente estaria! – dir-lhe-ia mais. E coisas bem mais difíceis de ouvir, que nisso ele não perdoava. Eu, pouco dado a exorcismos e a ciências ocultas, o mínimo que eu acho que ele lhe diria, caro Artur, é que a dignidade e a coerência valem bem mais que um louvor do chefe ou uma fotografia no boletim municipal.
Para terminar: um pedido. Para a semana, na festa de inauguração do vosso mural, não se esqueça do meu pai. E, se possível, faça encher o jardim com muitas rosinhas. Não daquelas que só têm picos e vertem fel. Das verdadeiras! Ou cravos, muitos cravos, de preferência. O meu pai e muitos outros famalicenses - como o eng. Queiroga ou o eng. Pinheiro Braga, por exemplo – haveriam de gostar.
Sem rancor, aceite um abraço amigo do (outro) Carlos Sousa.
V.N. de Famalicão, às 20 horas de 21 de Setembro de 2005
Como amigo do Sr. Carlos Sousa, também subscrevo e lamento.
Octávio Vilaça

2 Comments:
Enjoyed a lot! »
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